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PARA SONHAR ALTO

Escrito por Mariana

Kika já escreveu anteriormente sobre o sonho realizado de ter uma casa na árvore. Acho que é um sonho da maioria das crianças. Ter um cantinho para se esconder, para soltar a imaginação. Não esqueço do seriado da “Punky, a levada da breca”, que tinha uma casa na árvore toda colorida, para onde ela ia quando queria ficar sozinha ou pensar na sua próxima traquinagem. E Tarzan, o que dizer do lar dele?

Pois ter uma casa na árvore há algum tempo deixou de ser uma exclusividade infantil. Hoje há empresas de arquitetura especializadas na construção deste tipo de casas, sabiam?! Com equipes formadas por arquitetos, paisagistas, marceneiros e engenheiros agrônomos ou florestais, aptos a criar verdadeiras moradias.

O projeto de uma casa na árvore requer atenção redobrada para não prejudicar a saúde da árvore em questão. Afinal, se a árvore padecer, padecerá também a casa. Antes de começar a construção, faz-se um check up para saber se a árvore é realmente adequada para servir de base para uma casa. O engenheiro agrônomo ou florestal avalia também o solo da área e se necessário faz algum tratamento preventivo (orgânico ou químico). O projeto da casa só começa depois de se conhecer as condições da ávore, de forma que se minimize o impacto ambiental.

Para este tipo de construção são necessários parafusos especiais e elementos de fundação que não comprometam as raízes da árvore. A estrutura utilizada dependerá do peso da construção e da capacidade de sustentação da árvore. Em alguns casos, apoia-se a casa em mais de uma árvore ou usando também pilares metálicos ou de madeira que distribuem o peso pelo solo. Quando a casa está apoiada numa árvore, é fundamental diminuir ao máximo o peso, por isso a escolha de revestimentos internos leves.

No Brasil, temos a empresa “Casa na árvore”, de Ricardo Brunelli, arquiteto paranaense, que constrói casas, mirantes e espaços de lazer sobre árvores desde 2002. Além de também concretizar o sonho das crianças com casas infantis personalizadas ou pré-projetadas. É dele o projeto abaixo, em Araras, interior de São Paulo. A casa possui quartos, cozinha, banheiro, passarelas e mirantes.

O arquiteto alemão Andreas Wenning também especializou-se em casas na árvores. Mas, no seu caso, a maioria delas tem traços contemporâneos e minimalistas. Como esta em Dusseldorf, Alemanha:

Abaixo a Treehouse Redwoods, na Nova Zelândia, funciona como um local para eventos privados e corporativos e tem a forma de um casulo, oferecendo uma vista completa do seu entorno.

Ainda para ilustrar as casas nas árvores dos adultos, alguns projetos inusitados que adorei:

E podem esperar que em breve vai ter mais posts sobre as árvores e adultos.

Invenções Verdes

Escrito por Kika

Um amigo meu mandou por e-mail este material, que mostra invenções bem inusitadas e super amigas da natureza. Esta lista está no site Oddee, que aborda assuntos bem diversos, desde os importantes aos totalmente inúteis, e até alguns bem bizarros, mas sempre com um quê de novidade. Vale à pena dá uma conferida se você também é um curioso, eu mesma passei quase uma tarde inteira só fuçando as coisas lá. E adorei.

Agora, vamos à lista das dez invenções ou iniciativas que ajudam a preservar o meio ambiente:1 – O Crown Plaza Hotel, em Copenhague, Dinamarca, oferece refeições de graça para quem estiver disposto a gerar eletricidade. O negócio é assim: existem bicicletas ligadas a um gerador de eletricidade para serem pedaladas por hóspedes voluntários, que devem produzir pelo menos 10 Watts/hora – aproximadamente 15 minutos de pedalada para um adulto saudável. Depois do exercício, o hóspede recebe um vale-refeição de 26 euros (que equivale a mais ou menos 60 reais). {Link}2 – o Bar Surya, em Londres, capta energia produzida pela dança de seus freqüentadores. Como as luzes e sons de uma balada gastam uma quantia considerável de eletricidade, Andrew Charalambous, o visionário dono do estabelecimento, resolveu refazer o chão da pista de dança revestindo-o com placas que, ao serem pressionadas (pisadas) pelas pessoas, produzem energia elétrica. Ele diz que a eletricidade produzida pelos clientes representa 60% da necessidade energética do local. {Link}3 – Um bordel oferece desconto aos clientes que forem de bicicleta ou que provem ter utilizado um transporte público para chegar ao local. Essa foi a solução que o dono do “Maison D’envie”, Thomas Goetz, encontrou para atrair mais freqüentadores em época de crise econômica e ainda ajudar a frear as mudança climáticas no planeta. Os clientes ecologicamente corretos recebem 5 euros de desconto sobre o valor total pago por 45 minutos, que é de 70 euros (mais de 150 reais). {Link}

4 – Quem disse que uma impressora precisa de tinta ou papel para existir? A PrePean, uma impressora diferente das convencionais, faz uso de uma peça térmica para fazer impressões em folhas de plástico, feitas especialmente para este fim, que, além de serem à prova d’água, podem ser reutilizadas. Basta colocá-las de volta na impressora que esta, por meio de uma diferente temperatura, consegue apagar a impressão anterior e imprimir a próxima por cima. Este recurso permite que essas folhas sejam utilizadas mais de mil vezes. {Link}5 – Lembram que eu falei sobre telhado verde aqui? A Escola de Arte, Design e Comunicação da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, aderiu à tendência e construiu uma cobertura vegetal no seu prédio de forma orgânica que se funde à natureza onde está inserido. Os telhados revestidos de grama servem como ponto de encontro informal e ainda ajudam no equilíbrio térmico do edifício e na absorção da água da chuva. {Link}6 – A pia batizada de Jardim Zen, criada pelo designer Jean-Michel Montreal Gauvreau, possui um canal que aproveita a água desperdiçada na lavagem das mãos para regar uma planta.  Estão disponíveis modelos com uma única cuba ou com duas cubas.  Agora, se você está se perguntando se não tem problema a plantinha “engolir” sabão {eu também fiquei preocupada com isso}, eis a resposta: uma pecinha no início do canal drena o líquido para que só escorra água sem resquícios até o compartimento onde fica a plantinha. {Link}7 – O designer Tommaso Colia criou uma solução para aqueles que adoram passar um tempão tomando banho. O Eco Drop é uma espécie de box completo com chuveiro e  um tapete que possui círculos concêntricos. A grande invenção é que esses círculos vão se elevando enquanto o chuveiro está ligado e, após um tempo, a sensação fica tão incômoda que força o usuário a sair do banho e, consequentemente, economizar água. {Link}8 – Este interruptor, intitulado Tio, que tem formato de fantasma e avisa por meio de luzes coloridas há quanto tempo a lâmpada está acesa, ensina as crianças a economizar energia. Funciona assim: quando a lâmpada fica acesa por até uma hora, a expressão do fantasminha é feliz e a luz do interruptor permanece verde; então a luzinha vai mudando de cor até ficar amarela e o fantasminha faz cara de susto se o tempo da lâmpada acesa chegar a quatro horas ininterruptas; mas se o morador da casa se atreve a deixar a luz acesa por mais de oito horas, o até então amigável fantasma se zanga e fica vermelho. Dessa forma, um tanto quanto divertida, espera-se que as crianças comecem a tomar consciência do desperdício de energia desde cedo. {Link}9 – Pensando em diminuir a poluição, uma empresa criou o grampeador sem grampo. O produto “recorta pequenas tiras de papel e as usa para costurar até cinco folhas de papel juntas”, assim, evita que grampos se percam por aí poluindo o meio ambiente. {Link}10 – Esta invenção dá uma mão na economia de energia. O Designer Mac Funamizu criou um carregador de iPhone que gera energia por meio de um “aperto de mão”. O conceito foi chamado de ‘You can work it out’ – uma brincadeira entre encontrar uma solução (work it out) e exercitar-se (to work out). {Link}

Seria o João-de-barro um visionário?

Escrito por Kika

A argila é um dos materiais naturais mais antigos da história da construção humana. Cerca de 3 bilhões de pessoas moram ou trabalham em casas de barro. E eis que, agora, em pleno século 21, a terra batida, atualmente chamada de “concreto verde”, vem sendo considerada uma alternativa barata e inteligente, não só nas comunidades de baixa renda e de áreas rurais, mas também para a construção de casas e até pequenos edifícios pelo mundo todo.A bioconstrução (assim chamada por designers e arquitetos dispostos em investir em uma proposta ecológica), inspirada pela arquitetura vernacular, vem resgatando o barro por ele ser perfeitamente moldável às necessidades do futuro sustentável do nosso planeta e tem se beneficiado desse material tão econômico quanto eficaz. Técnicas antigas apontam novos caminhos para a arquitetura moderna, com as construções do povo Musgum, grupo étnico da província do extremo norte dos Camarões, que tem servido de referência para os bioconstrutores, pois lá as habitações são todas de barro, erguidas de maneira orgânica, em formato ogival, com ranhuras que contribuem para o escoamento da água da chuva. Mas por que esse interesse todo pelo barro depois de tanto tempo??? Ah, o João-de-barro sabe bem das coisas! Vê só quantas vantagens a utilização desse material traz para as construções e para o meio ambiente:

1. regula a umidade ambiental
O barro tem a capacidade de absorver e expelir umidade mais rápido e em maior quantidade que os outros materiais construtivos, regulando o clima interior, tanto no inverno quanto no verão. Experimentos demonstraram que, quando a umidade relativa de um ambiente aumenta subitamente de 50 a 80%, os adobes podem absorver 30 vezes mais umidade que os tijolos cozidos. Isto significa que uso de ar-condicionado torna-se menos necessário e, consequentemente, o consumo de energia diminui.

2. armazena calor
Igualmente aos outros materiais densos, o barro armazena calor. Em zonas climáticas onde as diferenças de temperatura são amplas, o barro pode balancear o clima dentro de casa.

3. economiza energia e diminui a contaminação ambiental
O barro praticamente não produz degradação ambiental em relação aos outros materiais de uso freqüente. Para preparar, transportar e trabalhar o barro no local, necessita-se apenas de 1% da energia requerida para a preparação, transporte e elaboração de concreto armado ou tijolo cozido. E o cimento ainda libera uma quantidade considerável de gás carbônico no seu processo de fabricação.

4. é reutilizável
Em seu estado cru pode ser usado ilimitadamente. Necessita apenas ser triturado e umedecido com água para ser reutilizado. Em comparação com outros materiais, não será nunca um resíduo que contamine o meio ambiente.

5. economiza materiais de construção e custos de transporte
Geralmente, o barro que se encontra na maioria das obras é produto de escavação do chão. Em comparação com outros materiais de construção, diminui consideravelmente os custos por não precisar ser transportado de um local a outro.

6. é apropriado para a auto-construção
As técnicas de construções com terra podem ser executadas por pessoas não especializadas, mas experientes (para controlar o processo). E a execução da obra pode ser feita com ferramentas mais econômicas.

7. preserva a madeira e outros materiais orgânicos
A argila mantém secos os elementos de madeira e os preserva quando estão em contato direto com ela, devido ao seu baixo equilíbrio de umidade (de 0,4 a 0,6% por peso) e a sua alta capilaridade. Os insetos e fungos não podem destruir as madeiras nestas condições, já que estes necessitam de 14 a 18% de umidade, e os fungos mais de 20% para poder viver. Da mesma forma, preserva também pequenas quantidades de palha dentro de sua massa.

8. absorve contaminantes

Tem-se dito muitas vezes que o barro contribui na purificação do ar  e do ambiente interior, mas, até o momento, não foi cientificamente comprovado. Porém, é uma realidade que o barro pode absorver contaminantes dissolvidos em água.

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E aí, ta a fim de morar numa casa de barro agora? Eu iria adorar ter uma em cima de uma árvore, como o sábio passarinho marrom que ilustra este post.Para saber mais sobre a técnica de construção Musgum, clica aqui.

Plantas nas alturas

Escrito por Kika

Os espaços nas grandes cidades estão cada vez mais limitados, portanto, prédios residenciais e comerciais precisam abrigar cada vez mais gente em ambientes hiper reduzidos, fazendo com que edifícios altíssimos sejam construídos com cada vez mais freqüência. Ok, isso não é nenhuma novidade, até já nos acostumamos com os inúmeros arranha-céus da nossa cidade. A boa nova é que essa onda da “perspectiva vertical” tem servido de inspiração para a criação de áreas verdes.

Já falei aqui sobre os telhados verdes e suas muitas vantagens, mas a grande a inovação do momento são construções inteiras destinadas à vegetação. Isso mesmo. Arquitetos, urbanistas, paisagistas e designers têm partido da mesma lógica da verticalização para repensar espaços naturais, com a intenção de integrá-los às metrópoles. E idéias assim possibilitam aos moradores um convívio maior com a natureza, seja por meio de jardins, hortas, ou até mesmo fazendas em plena urbe. Como é o caso do Spiral Garden System, um jardim público sustentável e autossuficiente criado por um grupo de arquitetas espanholas, que enxergou na verticalização uma solução para a inserção do verde em espaços urbanos cada vez mais lotados.O Jardim Espiral, ou Fazenda Vertical, como vem sendo chamado, é uma idéia de espaço onde as pessoas podem cultivar suas plantas (de preferência nativas e comestíveis) de forma comunitária, quase como uma “roça urbana”. Estufas de hortas e pomares coexistem ao longo de uma passarela que pode ser alocada em qualquer ponto da cidade, pois suas dimensões são adaptáveis. E não é só isso: ainda fazem uso inteligente de água e energia, fazendo com que as plantas sejam cultivadas de maneira orgânica e usando menos recursos do que fazendas e sítios instalados em regiões rurais. Uma ótima solução para estes tempos em que a população está aumentando mais do que a capacidade atual de produção de alimentos no planeta!