28 set 2011

Seria o João-de-barro um visionário?

A argila é um dos materiais naturais mais antigos da história da construção humana. Cerca de 3 bilhões de pessoas moram ou trabalham em casas de barro. E eis que, agora, em pleno século 21, a terra batida, atualmente chamada de “concreto verde”, vem sendo considerada uma alternativa barata e inteligente, não só nas comunidades de baixa renda e de áreas rurais, mas também para a construção de casas e até pequenos edifícios pelo mundo todo.A bioconstrução (assim chamada por designers e arquitetos dispostos em investir em uma proposta ecológica), inspirada pela arquitetura vernacular, vem resgatando o barro por ele ser perfeitamente moldável às necessidades do futuro sustentável do nosso planeta e tem se beneficiado desse material tão econômico quanto eficaz. Técnicas antigas apontam novos caminhos para a arquitetura moderna, com as construções do povo Musgum, grupo étnico da província do extremo norte dos Camarões, que tem servido de referência para os bioconstrutores, pois lá as habitações são todas de barro, erguidas de maneira orgânica, em formato ogival, com ranhuras que contribuem para o escoamento da água da chuva. Mas por que esse interesse todo pelo barro depois de tanto tempo??? Ah, o João-de-barro sabe bem das coisas! Vê só quantas vantagens a utilização desse material traz para as construções e para o meio ambiente:

1. regula a umidade ambiental
O barro tem a capacidade de absorver e expelir umidade mais rápido e em maior quantidade que os outros materiais construtivos, regulando o clima interior, tanto no inverno quanto no verão. Experimentos demonstraram que, quando a umidade relativa de um ambiente aumenta subitamente de 50 a 80%, os adobes podem absorver 30 vezes mais umidade que os tijolos cozidos. Isto significa que uso de ar-condicionado torna-se menos necessário e, consequentemente, o consumo de energia diminui.

2. armazena calor
Igualmente aos outros materiais densos, o barro armazena calor. Em zonas climáticas onde as diferenças de temperatura são amplas, o barro pode balancear o clima dentro de casa.

3. economiza energia e diminui a contaminação ambiental
O barro praticamente não produz degradação ambiental em relação aos outros materiais de uso freqüente. Para preparar, transportar e trabalhar o barro no local, necessita-se apenas de 1% da energia requerida para a preparação, transporte e elaboração de concreto armado ou tijolo cozido. E o cimento ainda libera uma quantidade considerável de gás carbônico no seu processo de fabricação.

4. é reutilizável
Em seu estado cru pode ser usado ilimitadamente. Necessita apenas ser triturado e umedecido com água para ser reutilizado. Em comparação com outros materiais, não será nunca um resíduo que contamine o meio ambiente.

5. economiza materiais de construção e custos de transporte
Geralmente, o barro que se encontra na maioria das obras é produto de escavação do chão. Em comparação com outros materiais de construção, diminui consideravelmente os custos por não precisar ser transportado de um local a outro.

6. é apropriado para a auto-construção
As técnicas de construções com terra podem ser executadas por pessoas não especializadas, mas experientes (para controlar o processo). E a execução da obra pode ser feita com ferramentas mais econômicas.

7. preserva a madeira e outros materiais orgânicos
A argila mantém secos os elementos de madeira e os preserva quando estão em contato direto com ela, devido ao seu baixo equilíbrio de umidade (de 0,4 a 0,6% por peso) e a sua alta capilaridade. Os insetos e fungos não podem destruir as madeiras nestas condições, já que estes necessitam de 14 a 18% de umidade, e os fungos mais de 20% para poder viver. Da mesma forma, preserva também pequenas quantidades de palha dentro de sua massa.

8. absorve contaminantes

Tem-se dito muitas vezes que o barro contribui na purificação do ar  e do ambiente interior, mas, até o momento, não foi cientificamente comprovado. Porém, é uma realidade que o barro pode absorver contaminantes dissolvidos em água.

_________________________________________________________________________

E aí, ta a fim de morar numa casa de barro agora? Eu iria adorar ter uma em cima de uma árvore, como o sábio passarinho marrom que ilustra este post.Para saber mais sobre a técnica de construção Musgum, clica aqui.

13 set 2011

Plantas nas alturas

Os espaços nas grandes cidades estão cada vez mais limitados, portanto, prédios residenciais e comerciais precisam abrigar cada vez mais gente em ambientes hiper reduzidos, fazendo com que edifícios altíssimos sejam construídos com cada vez mais freqüência. Ok, isso não é nenhuma novidade, até já nos acostumamos com os inúmeros arranha-céus da nossa cidade. A boa nova é que essa onda da “perspectiva vertical” tem servido de inspiração para a criação de áreas verdes.

Já falei aqui sobre os telhados verdes e suas muitas vantagens, mas a grande a inovação do momento são construções inteiras destinadas à vegetação. Isso mesmo. Arquitetos, urbanistas, paisagistas e designers têm partido da mesma lógica da verticalização para repensar espaços naturais, com a intenção de integrá-los às metrópoles. E idéias assim possibilitam aos moradores um convívio maior com a natureza, seja por meio de jardins, hortas, ou até mesmo fazendas em plena urbe. Como é o caso do Spiral Garden System, um jardim público sustentável e autossuficiente criado por um grupo de arquitetas espanholas, que enxergou na verticalização uma solução para a inserção do verde em espaços urbanos cada vez mais lotados.O Jardim Espiral, ou Fazenda Vertical, como vem sendo chamado, é uma idéia de espaço onde as pessoas podem cultivar suas plantas (de preferência nativas e comestíveis) de forma comunitária, quase como uma “roça urbana”. Estufas de hortas e pomares coexistem ao longo de uma passarela que pode ser alocada em qualquer ponto da cidade, pois suas dimensões são adaptáveis. E não é só isso: ainda fazem uso inteligente de água e energia, fazendo com que as plantas sejam cultivadas de maneira orgânica e usando menos recursos do que fazendas e sítios instalados em regiões rurais. Uma ótima solução para estes tempos em que a população está aumentando mais do que a capacidade atual de produção de alimentos no planeta!

07 set 2011

Problemas com falta de espaço?

Assistam este vídeo para ver o que é solução. Quando achei no Youtube a primeira coisa que pensei foi: “só podia ser coisa de japonês”. Mas é uma aula de criatividade!

06 set 2011

Arquitetura Boa é Assim!

Em São Paulo existe uma marca chamada Movimento Um, fruto da parceria entre três empresas das áreas de arquitetura e engenharia, que tem como objetivo incorporar edifícios pequenos, com poucos apartamentos, mas com muito espaço, segurança e modernidade. Tudo o que a gente deseja hoje em dia!

Tendo em vista que nenhuma pessoa é igual à outra, o Movimento Um desenha as plantas de seus apartamentos em função de cada morador. Assim, tanto a metragem quanto a configuração são variáveis, portanto, nenhuma casa fica igual à do vizinho. E os projetos ainda são pensados para que sejam facilmente modificados de acordo com as mudanças que eventualmente acontecem nas vidas das pessoas, como casar, ter filhos, ver os filhos indo morar nas suas próprias casas, se separar, etc. Até os banheiros e a cozinha podem ser mudados de lugar caso se queira reconfigurar radicalmente o apartamento!

A intenção da empresa é também fazer com que seus moradores possam desfrutar do próprio bairro, pois acreditam que não faz sentido uma pessoa viver numa grande cidade como São Paulo sem conseguir aproveitar o que ela tem de melhor. E há ainda o respeito pela vizinhança, pois, para o Movimento Um, um prédio não pertence apenas aos seus donos, mas também a todos que vivem no seu entorno. Por isso, suas edificações são de primeira qualidade, com cuidados estéticos que acabam por embelezar a cidade. Sem contar que tudo é planejado visando o menor desperdício possível: janelas que proporcionam maior ventilação e grandes áreas envidraçadas que permitem a entrada de mais luz natural, além de alternativas que diminuem os gastos com água, energia e funcionários do prédio {oba! O meio ambiente agradece}.

Por tudo isso, um dos manifestos do Movimento Um é o seguinte: “não queremos apenas construir o apartamento da sua vida, queremos mostrar que existe uma alternativa inteligente e sustentável à ocupação urbana de São Paulo.”

Pois é, arquitetura de qualidade, para mim, é isso!

Há 4 edifícios sendo construídos por eles. Vê se não dá a maior vontade de morar num predinho assim:Para saber mais sobre o Movimento Um entra aqui. E para ver as plantas baixas dos apartamentos é só clicar aqui (Edf. Aimberê 1749), aqui (Edf. Simpatia 236) e aqui (Edf. Fidalga 727).

11 ago 2011

Telhado Verde

Quero só esclarecer uma coisa: esse post aqui já estava feito há um bom tempo e só agora entrou no site por causa dos problemas que tivemos ao mudar de servidor. As chuvas torrenciais as quais me referi foram as dos dias 15 e 16 de julho. Quase um mês atrás já.

Quem sobreviveu ao dilúvio do último final de semana levanta a mão! Gente, é quase impossível imaginar como ficou Recife nesses dias. Eu inventei de sair {mesmo embaixo de chuva e por dentro dos rios nos quais se transformaram as ruas}, na sexta-feira à noite e tive a oportunidade de me surpreender. Parecia até filme, desses cheios de efeitos especiais, que retratam o fim do mundo, sabe?! Mas, infelizmente, era verdade. Graças aos céus {literalmente, já que uma hora estiou um pouquinho} consegui voltar para casa. E não saí mais dela até a tarde do domingo, porque fiquei ilhada. Minha rua alaga de tal maneira que, para passar por ela, só de barco mesmo. Então, tive dois dias para ficar pensando sobre as chuvas e os problemas da nossa “Veneza Brasileira”… Ainda não sei explicar o porquê dessa calamidade toda {acredito que tem muito da incompetência do nosso prefeito aí}, mas acabei aprendendo bastante sobre TELHADOS VERDES. E se você está achando que eu enlouqueci por causa desse temporal, porque, aparentemente, não estou falando coisa com coisa, continua lendo esse post que vai ser possível entender que uma coisa tem, sim, a ver com a outra e que, inclusive, a adoção desse tipo de coberta nas edificações da nossa cidade {e, obviamente, eleger um prefeito melhor} poderia solucionar um pouco os problemas causados pelas chuvas.Telhados de turfa são tradição nas Ilhas Feroe, na Dinamarca.

Pois bem… os telhados verdes já vêm sendo bastante utilizados em alguns países e, felizmente, a idéia começa a ser difundida no Brasil. Esse tipo de coberta é uma técnica de arquitetura que consiste na aplicação e uso de solo e vegetação sobre uma camada impermeável, geralmente instalada na cobertura de edificações, e é uma alternativa viável e sustentável perante os telhados e lajes tradicionais. Suas principais vantagens são facilitar a drenagem, fornecer isolamento térmico e acústico e produzir um diferencial estético e ambiental na edificação.Explicando melhor:

Quanto a questão da drenagem: em regiões de chuva intensa, as áreas naturais podem reter de 15% a 70% do volume das águas pluviais, prevenindo a ocorrência de enchentes. Estudos demonstram que para uma cobertura verde leve de 100m², cerca de 1400 litros de água de chuva deixam de ser enviados para a rede pública. Multiplicando este valor pela soma de todas as coberturas de uma grande cidade dá para imaginar a contribuição para a redução desse problema.

Sob um telhado coberto de vegetação, as baixas e as altas temperaturas demoram mais para chegar, o que proporciona um ambiente muito mais fresco. Pesquisas bioclimáticas indicam que, com o uso de coberturas vivas, é possível melhorar em 30% as condições térmicas no interior da edificação, o que torna desnecessário o uso de sistemas artificiais de climatização. Ou seja, provoca um decréscimo no uso do ar condicionado e, portanto, economiza também energia elétrica.

Em ambientes extremamente artificiais, como o urbano, os ecotelhados promovem o reequilíbrio ambiental, trazendo os benefícios das áreas verdes para a saúde pública, já que a vegetação mantém a umidade relativa do ar e purifica a atmosfera no entorno da edificação. Também contribui no combate ao efeito estufa e traz mais harmonia e beleza para os moradores do edifício e dos arredores, podendo gerar ainda novos espaços de lazer. Em pontos comerciais , é um ótimo atrativo, pois torna-os mais visíveis.Demonstração de como ficaria uma parte da cidade de São Paulo com coberturas verdes. (clique na imagem para ampliar)

Esses acima são apenas os principais benefícios, mas há mais alguns:

- Aumento da biodiversidade;
- Limpeza da água pluvial (pois as plantas e a terra funcionam como um filtro natural), que, quando armazenada, pode ser utilizada na irrigação de jardins e nas caixas de descarga de bacias sanitárias.
- Redução da emissão de carbono, atenuante da poluição do ar;
- Diminuição da temperatura do micro e macro ambiente externo;
- Contribuição para uma maior durabilidade dos prédios, pois diminui a amplitude térmica e reduz o risco de infiltrações;Apesar de mais comuns em edifícios comerciais, sistemas de fácil aplicação permitem o uso também em residências. Há modelos montados em camadas sobre o telhado e outros de estrutura modular, com peças de encaixe. Porém, esse tipo de coberta requer infra-estrutura adequada, então, não basta subir em cima da casa e começar a plantar um jardim! Um engenheiro deve ser consultado para garantir que seu futuro telhado-vivo suportará o peso da vegetação somado ao de uma pessoa que será responsável pela manutenção. E é preciso também que o telhado tenha um acesso fácil para essa pessoa que subirá lá quando for necessário. Portanto, é melhor contratar uma empresa especializada.(imagem da Envec Brasil)

A obra exige a instalação de uma estrutura específica na cobertura da casa. Se o telhado for simplesmente uma laje, é preciso impermeabilizá-la; se for feito de telhas de cerâmica, é preciso retirá-las e colocar placas de compensado que servirão de base para a cobertura vegetal, onde serão colocados a terra e o adubo para o crescimento das plantas, mantas onduladas e impermeabilizadas, para impedir que o substrato escorra e para evitar infiltrações no teto, e dutos de irrigação e drenagem, que ajudam a reduzir o barulho dentro de casa e a manter a temperatura constante.(clique na imagem para ampliar)

O custo de um telhado verde pode sair mais baixo que o de um convencional, mas os preços variam de acordo com a quantidade de materiais envolvidos e a complexidade da instalação. Atualmente existem no Brasil tecnologias eficazes e simples, permitindo rápida amortização do investimento pela economia de energia e uso da área como jardim e lazer, quando em lajes planas. Outro fator de economia é a extensão da vida útil de uma cobertura com telhado verde em relação à convencional, pois com a impermeabilização, ela fica menos propensa a fissuras causadas pelas constantes mudanças de temperatura.Hotel na Alemanha {Amei!}

Além de grama, podem ser plantados arbustos e flores, ou outras plantas, de acordo com o gosto do proprietário. Mas é importante dar preferência às espécies que se adaptem bem ao clima local e que prefiram sol pleno. Plantas de porte baixo e crescimento lento, que exigem poucas regas e podas esporádicas, facilitam a manutenção, que é como a de um jardim comum.No Brasil, há 120 mil metros quadrados de coberturas verdes, segundo o GBC (conselho de construção sustentável). O telhado verde mais famoso dos EUA é o da prefeitura de Chicago e os mais antigos e conhecidos do mundo são os Jardins Suspensos da Babilônia.Chicago City HallJardins Suspensos da Babilônia

Agora, digam se não seria maravilhoso viver num lugar repleto de coberturas assim!