A argila é um dos materiais naturais mais antigos da história da construção humana. Cerca de 3 bilhões de pessoas moram ou trabalham em casas de barro. E eis que, agora, em pleno século 21, a terra batida, atualmente chamada de “concreto verde”, vem sendo considerada uma alternativa barata e inteligente, não só nas comunidades de baixa renda e de áreas rurais, mas também para a construção de casas e até pequenos edifícios pelo mundo todo.
A bioconstrução (assim chamada por designers e arquitetos dispostos em investir em uma proposta ecológica), inspirada pela arquitetura vernacular, vem resgatando o barro por ele ser perfeitamente moldável às necessidades do futuro sustentável do nosso planeta e tem se beneficiado desse material tão econômico quanto eficaz. Técnicas antigas apontam novos caminhos para a arquitetura moderna, com as construções do povo Musgum, grupo étnico da província do extremo norte dos Camarões, que tem servido de referência para os bioconstrutores, pois lá as habitações são todas de barro, erguidas de maneira orgânica, em formato ogival, com ranhuras que contribuem para o escoamento da água da chuva.

Mas por que esse interesse todo pelo barro depois de tanto tempo??? Ah, o João-de-barro sabe bem das coisas! Vê só quantas vantagens a utilização desse material traz para as construções e para o meio ambiente:
1. regula a umidade ambiental
O barro tem a capacidade de absorver e expelir umidade mais rápido e em maior quantidade que os outros materiais construtivos, regulando o clima interior, tanto no inverno quanto no verão. Experimentos demonstraram que, quando a umidade relativa de um ambiente aumenta subitamente de 50 a 80%, os adobes podem absorver 30 vezes mais umidade que os tijolos cozidos. Isto significa que uso de ar-condicionado torna-se menos necessário e, consequentemente, o consumo de energia diminui.
2. armazena calor
Igualmente aos outros materiais densos, o barro armazena calor. Em zonas climáticas onde as diferenças de temperatura são amplas, o barro pode balancear o clima dentro de casa.
3. economiza energia e diminui a contaminação ambiental
O barro praticamente não produz degradação ambiental em relação aos outros materiais de uso freqüente. Para preparar, transportar e trabalhar o barro no local, necessita-se apenas de 1% da energia requerida para a preparação, transporte e elaboração de concreto armado ou tijolo cozido. E o cimento ainda libera uma quantidade considerável de gás carbônico no seu processo de fabricação.
4. é reutilizável
Em seu estado cru pode ser usado ilimitadamente. Necessita apenas ser triturado e umedecido com água para ser reutilizado. Em comparação com outros materiais, não será nunca um resíduo que contamine o meio ambiente.
5. economiza materiais de construção e custos de transporte
Geralmente, o barro que se encontra na maioria das obras é produto de escavação do chão. Em comparação com outros materiais de construção, diminui consideravelmente os custos por não precisar ser transportado de um local a outro.
6. é apropriado para a auto-construção
As técnicas de construções com terra podem ser executadas por pessoas não especializadas, mas experientes (para controlar o processo). E a execução da obra pode ser feita com ferramentas mais econômicas.
7. preserva a madeira e outros materiais orgânicos
A argila mantém secos os elementos de madeira e os preserva quando estão em contato direto com ela, devido ao seu baixo equilíbrio de umidade (de 0,4 a 0,6% por peso) e a sua alta capilaridade. Os insetos e fungos não podem destruir as madeiras nestas condições, já que estes necessitam de 14 a 18% de umidade, e os fungos mais de 20% para poder viver. Da mesma forma, preserva também pequenas quantidades de palha dentro de sua massa.
8. absorve contaminantes
Tem-se dito muitas vezes que o barro contribui na purificação do ar e do ambiente interior, mas, até o momento, não foi cientificamente comprovado. Porém, é uma realidade que o barro pode absorver contaminantes dissolvidos em água.
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E aí, ta a fim de morar numa casa de barro agora? Eu iria adorar ter uma em cima de uma árvore, como o sábio passarinho marrom que ilustra este post.
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